Uma torre de 35 a 54 andares não é só um prédio maior: muda a engenharia, a logística e a conta inteira do empreendimento. Para entender por quê, Du Esteves, CEO da EW Incorporações, recebeu Rogério Queiroz, da QS Incorporação, de Goiânia.
A QS começou com o primeiro prédio em parceria em 2001 e já entregou mais de 20 prédios. Neste artigo, reunimos os pontos principais da conversa. Para ver tudo com as palavras do próprio Rogério, assista à entrevista completa no YouTube.
Goiânia x Ribeirão Preto: quem define a altura é a lei
A altura de um prédio começa na legislação urbana, antes da engenharia. Goiânia permite torres bem mais altas do que é comum em cidades como Ribeirão Preto, e isso muda o tipo de produto que cada mercado consegue lançar.
Para o investidor, a lição é simples: o mesmo terreno vale coisas diferentes dependendo do que a cidade deixa construir nele.
Por que construir alto custa tanto mais
Cada andar a mais encarece a obra em três frentes ao mesmo tempo:
- Estrutura: mais concreto e aço para sustentar a torre.
- Logística: tudo precisa subir mais longe, e o canteiro fica mais complexo.
- Custo administrativo: a obra dura mais, e a estrutura de gestão fica mais tempo mobilizada.
Por isso, segundo Rogério, o prédio nasce numa planilha financeira antes de nascer na prancheta. Na experiência da QS, o ponto ideal de viabilidade fica entre 35 e 40 lajes. Acima disso, a altura precisa se pagar de outro jeito.
Sem elevador, a obra para
Numa torre alta, material, ferramenta e equipe sobem pelo elevador de obra, o cremalheira. Se ele para, a obra inteira para junto. É por isso que as obras da QS trabalham com dois elevadores cremalheira: um mantém o ritmo quando o outro está ocupado ou em manutenção.
Rogério cita o Marista Prime como exemplo do tamanho desse desafio logístico. Em obra vertical, o cronograma depende tanto da capacidade de subir material quanto da equipe em campo.
▶ Esse trecho virou um Short: Sem Elevador, a Obra Para.
O prédio curvo inspirado em Abu Dhabi
O projeto mais ousado da conversa é um prédio curvo e espelhado, inspirado nas torres de Abu Dhabi. A forma curva transforma detalhes comuns em problemas de engenharia:
- Esquadrias: cada peça acompanha a curva da fachada.
- Vidro: parte dos vidros precisou ser cortada no próprio local.
- Estrutura em balanço: a fachada recua 5 m e volta 1,5 m ao longo da altura.
▶ Veja o Short: O Desafio Impossível.
O trabalho que ninguém vê
O prédio curvo levou 2 anos só de projeto antes do lançamento. O resultado foi sucesso de vendas e uma premiação.
Para Rogério, a pré-obra é a fase mais subestimada da incorporação: são 2 a 3 anos de estudo, viabilidade e projeto antes de qualquer coisa aparecer acima do tapume. É ali que se decide se o empreendimento vai dar certo. Na obra, só se executa o que foi decidido antes.
O que isso significa para quem investe
Um imóvel na planta é o resultado de anos de decisões técnicas e financeiras que o comprador não vê. Conhecer como uma incorporadora planeja, calcula e executa é a melhor forma de avaliar onde colocar o seu dinheiro. Na EW, é essa leitura que orienta cada empreendimento que lançamos em Ribeirão Preto.
Quer se aprofundar? Leia também Imóvel na planta vale a pena para investidores em 2026? e O que analisar antes de comprar um imóvel para investimento.
Assista à conversa completa e aos cortes:
- 🎥 Entrevista completa com Rogério Queiroz no YouTube
- ▶ Prédios Altos: Por Que a Construção Fica Tão Cara?
- ▶ O Desafio Impossível: O Único Homem Que Topou
- ▶ Sem Elevador, a Obra Para
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